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Sábado, 25 de Dezembro de 2010
Noticias de Dezembro de 2010

A Filhota está oficialmente na idade do armário. É uma menina-mulher linda e que já começou a quebrar corações. Gere bem o seu tempo e é responsável e aplicada nos estudos. Consegue com facilidade aprender e aplicar o que aprende, não só nos testes, como também em actividades extra curriculares. Tem um óptimo aproveitamento escolar. É dona de uma cabeça bem assente nos ombros e de uma consciência e projectos para o futuro, que vão muito para alem do que é normal para jovens da idade dela. Recebeu o seu primeiro chamado na Igreja como presidente das abelhinhas (a classe etária das moças com quem se reúne). Continua a tocar lindamente o piano e a viola baixo, e a participar, com a sua banda, em festivais musicais promovidos pela escola. Está muito desenvolta na natação, mas começa a estar farta desse desporto; gostava de experimentar outros desportos, mas visto que Lagos é uma cidade pequena, as escolhas não são muitas, e as que há são altamente estereotipadas e limitadoras. Ainda temos que explorar bem as hipóteses que há.

 

O Joãozinho continua a crescer a olhos vistos. Tem uma cara linda e um sorriso angelical que já aprendeu a usar para se livrar das consequências das frequentes macacadas. Domina bem a bicicleta, e a trotineta e tem feito um progresso entusiasmante nos patins. Adora chegar a casa e descomprimir o stess da escola dando uns bons chutos na bola de futebol. A escola vai bem. Pinta muito bem e é muito perfeccionista. Tem uma caligrafia que dá gosto ver. É um bocadinho preguiçoso na memorização das letras e dos números, mas com a insistência e perseverança dos pais, as coisas hão de melhorar. É um menino feliz e que se dá bem com os seus colegas e participa em todas as actividades familiares, e extra-familiares, com desenvoltura e apreciação. Ainda que não tenha começado a receber instrução formal no piano, gosta muito de se sentar e dedilhar as teclas e tocar umas musicas, que até soam bem. 

 




Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Actualização do processo

Desculpem a parca frequência das notícias, mas tenho, como devem imaginar, andado muito ocupado com tudo o que de novo se intrometeu na minha, já antes bastante preenchida, agenda.

O Joãozinho já está connosco há sensivelmente duas semanas. Tem feito grandes progressos em todos os aspectos. Os seus amuos e birras (o maior problema que havia logo no inicio), têm aos poucos e poucos vindo a atenuar-se a ponto de serem presentemente quase inexistentes. A timidez e insegurança que demonstrava quando estavam estranhos por perto está agora também superada e mesmo quando se demonstra é fácil e rapidamente ultrapassada sem que tenhamos que fazer nada. A sua adaptação aos nossos hábitos religiosos também tem sido muito bom. Participa nas orações cruzando os braços e dizendo sonoros améns no fim, e mostra-se solicito para fazer as orações sempre com a ajuda da mãe e pai. Comporta-se lindamente na Igreja embora ainda requeira a presença de um dos pais consigo durante a Primaria. Adora e sente-se orgulhoso de usar a sua indumentária de Domingo. Resistiu muito à gravata, mas agora adora-a.

Fizemos neste fim-de-semana que se passou a maior viagem que provavelmente já tinha feito. 5 horas até Guimarães para conhecer a Avó o Avo, e o resto da família do lado da Minha esposa. Parecia a cena do filme do Shrek 2 onde o Donkey pergunta repetida e incessantemente “Are we there yet”, mas que no caso do Joãozinho tomava a forma de “Aonde está a casa da avó?” ao que eu respondia “Ainda falta muito, é muito lá á frente”. É claro que a mesma pergunta com a mesma resposta se repetia daí a 2 minutos. 5 horas disto é dose para fazer enlouquecer qualquer santo, mas a viagem de volta já foi muito melhor, acho que só pergunto quando chegávamos a casa umas 20 ou 30 vezes.

Enquanto viajávamos de volta para casa assistimos à segunda ocorrência do Joãozinho acordar de um sono a chorar convulsiva e inconsolavelmente. Eu, no meu limitado parecer psicológico, interpreto estas profundas tristezas, imediatamente seguidas de birras e fortes amuos da seguinte maneira: Deve estar a sonhar que o estamos a levar de novo para o orfanato, e por esse motivo chora – convulsivamente – de tristeza. Logo de seguida tenta afastar-se do nosso amor fazendo uma birra para que deixemos de gostar dele. Pobre menino. Dá dó vê-lo a chorar daquela maneira sem aparente razão. Só quem está a par da pesada historia recente que ainda o aflige, pode compreender o terror que deve estar a passar. Mas o que fiz desta vez, depois de pararmos o carro numa área de serviço da auto-estrada, foi agarra-lo no meu colo e perguntar-lhe se tinha sonhado que o papá e a mamã o tinham ido levar ao orfanato. Ele não respondeu, simplesmente se agarrou com força a mim e encostou a sua cabecinha ao meu ombro para que não lhe visse a cara. Assegurei-lhe então que isso nunca iria acontecer, e que o papá e a mamã o amavam muito e que ele iria ficar connosco para sempre. Relaxou um bocado e, ao passarmos perto de umas motas, baixou por completo as defesas deu-me um beijinho e falou entusiasmadamente das motas. E assim vamos travando e ganhando pequenas batalhas; desfazendo com amor, carinho e firmeza, o mal que lhe foi imputado e as cicatrizes que lhe ficaram na alma.

A nossa filha por outro lado esta a começar a reagir um pouco pior à situação. Fez uma grande birra na casa da avó, dizendo que já não lhe dávamos atenção e que ninguém gostava dela pois agora todos davam toda a sua atenção ao Joãozinho. Com ela as coisas são mais fáceis de resolver pois podemos usar da lógica e apontar os factos que contradizem aquilo que está a sentir. Adiciona-se um pouco de carinho, amor, e abraços e beijinhos à receita, e o resultado é positivo. Aproveitamos também esse momento para verificar as nossas acções e fazer as correcções necessárias para que a harmonia prevaleça e todos possam ficar bem. Mas a nossa menina é, e sempre será, uma linda e fantástica menina que todos amamos mais do que ela imagina. É claro que agora que temos que dividir a nossa atenção entre ela e o Joãozinho, ela sente-se defraudada daquilo que até agora foi 100% dela. Mas também ela se ajustará.

Eu e a minha esposa andamos privados de sono e exaustos devido à mudança nos nossos horários e acréscimos às nossas responsabilidades. Mas também isto passará e desfrutaremos no futuro do amor de dois filhos e todas as dores de cabeça e momentos de orgulho que cada um deles certamente acarretará.



publicado por Papi às 15:23
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O Joãozinho está em casa!!!!

Meus queridos, O Joãozinho já está em casa há 2 dias. Tem feitos umas birras para nós lhe confirmarmos que realmente gostamos dele e que não vamos desistir dele como fez o outro casal. A minha impressão é que quando começa a amar-nos muito, reconhece que aquele amor por nós o pode magoar e por isso tenta distanciar-se de nos. Faz birras e amua não querendo que lhe toquemos nem que falemos com ele, mas através de muita insistência da nossa parte, agarrando-o fortemente, verbalizando o nosso amor por ele, e não permitindo que ele tenha o controlo da situação, conseguimos sempre (SEMPRE!!!) superar o momento e fazer com que ele se permita gostar de nós. Sabemos quais os receios que tem, sabemos como os demonstra, e sabemos lidar com eles para os superar. Sabemos também – e isto é muito importante para mim – que ele compreende quando se está a portar mal e reconhece o prazer que nos dá portar-se bem. Ainda hoje passei a manhã toda com ele no parque. Depois vim para casa com ele e almoçámos. No fim do almoço disse-me que ele se tinha portado bem toda a manhã e que não tinha chorado. Assim que a Sónia chegou a casa do trabalho, foi também orgulhosamente dizer à mãe que se tinha portado bem toda a manhã. Ele sabe muito bem o que faz e com o passar dos tempos o receio de ser abandonado vai deixar de existir e o seu comportamento será um modelo.

Já começou a fazer as orações connosco. Cruza os bracinhos e fecha os olhos baixando a cabeça. Também se mantém quietinho quando de manhã lemos as escrituras todos enroscados debaixo do edredom da cama do Papi e da Momy .
O seu comportamento quando está perto de amigos nossos, ou pessoas estranhas ao núcleo familiar, ainda é um bocado troglodita. Fica muito acabrunhado e retrai-se muito para os braços e o colinho da Sónia. Se continuamos a conversa com as outras pessoas durante muito tempo, acaba por se habituar e forma laços de amizade e confiança. Devido a este comportamento e à grande ansiedade com que todos os membros da igreja esperam a chegada do Mateus, este domingo ficamos em casa de licença de parto. No próximo domingo vamos então leva-lo à capela mas avisaremos todos de que não se devem chegar muito.
A Nossa filha tem andado bastante cansadinha. A energia do Joãozinho é suficiente para cansar qualquer um. No outro dia no carro, na última viagem que fizemos ao Refugio, comentou (depois de o Joãozinho repetir a brincadeira pela milionésima vez) que era pena que ele não viesse com um botão para ligar/desligar.
A nossa rotina diária já mudou bastante. Agora temos entre nós um menino que requer muito do nosso tempo e que entrou de rompante e com a energia de um furacão pela nossa calma casinha a dentro. Mas também nós nos habituaremos à nova rotina e daqui a umas semanas uma nova normalidade se estabelecerá.



Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008
Nova actualização

á faz l tempo que não escrevo, e parece que este já não é o primeiro post que eu começo com esta frase, mas a titulo de redenção, aqui vão uns parágrafos a falar dos meu meninos:

 

A minha filhota continua a crescer, e a desempenhar-se bem na escola. Este ano já fez o pai babar-se ao colocar-se em segundo lugar nas pré-olimpíadas de Matemática. O único aluno que ficou à sua frente – e por escassos pontos – era de um ano superior. Passou finalmente daquela fase em que lhe custava muito tocar piano para agora gostar de tocar – com desenvoltura – as musicas que vai aprendendo. Na escola está também numa banda na qual toca Baixo, e pelo que me dizem as professoras, com igual desempenho. Está linda e agora a transformar-se numa mulherzinha (percebem???), mas manter o quarto arrumado e limpo é uma tarefa monumental e que se prova quase impossível. De repente, e sem aviso prévio, os rapazes dos filmes começam a ser adjectivados de “giros”. E assim entra na aborrecencia…. Mais uns mesinhos e tranco-a num armário!

 

O Joãozinho, o nosso lindo filho tem crescido muito em altura, mas continua magrinho. Dá muito jeito não ter que desapertar o cinto e as calças quando se tem que ir à casa de banho. É uma criança de hábitos fixos. Se algo falta na rotina, informa-nos logo e com insistência suficiente para fazer desesperar um santo. Já está na escolinha e a fazer muitos amigos e até parece que já tem uma namorada. Contou-nos no outro dia – enquanto estávamos todos enroscadinhos na nossa cama – que enquanto estavam a ver um filme na escola, a Sara deitou a cabeça no colo dele, e deu-lhe a mão. Atrevida da miúda! Mas com uma carinha e sorriso daqueles, que miúda pode resistir? Ainda vai partir muitos corações este menino. Está agora na terapia da fala para poder deixar de apumar e passar a arrumaros brinquedos e para que o comboio dele deixe de fazer “Puta Quera, Puta Quera…” e passe a fazer “Pouca Terra, Pouca Terra…”. Está completamente adaptado a nós e seguro do nosso amor. Nós estamos gratos por o ter connosco e já nem nos imaginamos sem ele. Na Igreja já faz as orações, e porta-se às vezes bem, às vezes menos bem. Tudo normal.



publicado por Papi às 11:29
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008
27 de Marco de 2008 – Apresentação em papel

No inicio parecia que nos estavam a querer desencorajar de adoptar a criança que nos estavam a propor. O Joãozinho – um menino muito bonito de 4 anos feitos a 16 de Janeiro – foi institucionalizado com 10 meses quando a mãe saiu de casa e procurou abrigo devido à violência do pai. O pai era alcoólatra e violento para com a mãe e os outros 3 irmãos. Mas a mãe não era nenhuma santa. A casa de dois quartos cuja casa de banho não funcionava e que a mãe não mantinha limpa, era habitada pelos 6. A mãe tinha de igual modo algum atraso mental, cuja manifestação mais desagradável era o ser incontinente anal (fazia cocó nas calças).

Ao ser admitido no Lar Aboim Ascensão, o Joãozinho chorava muito e quando não estava a chorar era uma criança apática. Estava atrasado em relação a média em praticamente todos os sentidos – motores, emocionais e psicológicos. Todo o progresso que fazia era desfeito pelas infrequentes e contraproducentes visitas por parte da mãe. Assim se foram passando os primeiros meses até que, por observação e conselho das técnicas e psicólogas, a mãe foi proibida de visitar a criança. Os Irmãos do Joãozinho visitaram-no também umas poucas vezes, mas as suas visitas tornaram-se infrequentes até que cessaram por completo. O pai visitou-o duas vezes – uma delas num estado inebriado – mas o Mateus não respondeu à presença do pai, e também ele deixou de o visitar.

Depois dos contactos com a família terem cessado, o Joãozinho fez bastante progresso e encontrava-se aos 3 anos como uma criança normal, ainda que muito frequentemente propensa a birras e choros que se demonstravam quase impossíveis de domar. Quando não conseguia aquilo que queria, e as birras/choros não produziam os resultados desejados, batia repetidamente com a cabeça no chão, chegando até a causar hematomas e a fazer um corte na testa. Foi nessa altura – em Dezembro de 2007 – que ainda com 3 anos, foi adoptado por uma família já com filhos criados. Passado 1 mês o casal devolveu o Joãozinho à instituição alegando não conseguir lidar com as suas birras.

Desde então o Joãozinho tem feito bom progresso e está neste momento avaliado como uma criança normal (tanto quanto possa ser, tendo passado por todas estas experiências negativas), que não apresenta deficiências motoras, cognitivas ou psicológicas.

Levei a hora em que as psicólogas falaram, a ouvir todas estas coisas negativas acerca da criança que nos estavam a propor que adoptássemos. Esperava que no fim de todas as coisas negativas que nos estavam a dizer houvessem pelo menos uma ou duas frases com coisas positivas acerca do Joãozinho, mas isso não aconteceu. Fiquei com a distinta sensação que nós tínhamos sido escolhidos para adoptarmos o Joãozinho e não o Joãozinho para ser adoptado por nós. Fomos nós que no inicio do processo tivemos que preencher um formulário a especificar as características que queríamos na criança que consideraríamos para adopção, mas no final, foram as necessidades do Joãozinho que ditaram os pais a que seria proposto.

Mas no discurso negativista que discorreu interminavelmente, houve um ponto que tanto eu como a minha esposa gostámos. Aparentemente o Joãozinho têm uma necessidade quase compulsiva de arrumar tudo aquilo que desarruma. Vai ser óptimo para andar atrás da nossa filhota a arrumar tudo o que ela, desinteressadamente, deixa espalhado pelo caminho.

Quando o processo extensivo e minucioso de revelação terminou, senti-me apreensivo. Não estava pronto para rejeitar o Joãozinho, mas também não estava pronto para o acolher de braços abertos. Começamos então a fazer perguntas menos estruturadas, e foi assim que aos poucos e poucos os meus receios iniciais se foram apaziguando e me comecei a sentir melhor acerca do Joãozinho. Não estou a levar em consideração o facto de ter pena da vida que até agora levou. Continuo a basear as minhas impressões numa breve digestão dos factos que nos foram apresentados.

Temos ainda marcada para Terça, dia 1 de Abril, uma reunião com a Psicóloga residente do Centro Aboim Ascensão que estará pronta para responder a qualquer pergunta que tenhamos acerca do Joãozinho. Iremos então discutir em família todas as nossas impressões e informação que recebemos. Tomaremos depois uma decisão e levaremos finalmente essa decisão ao Senhor em oração para que Ele confirme que aquilo que decidimos fazer é, ou não, correcto.


Tanto eu como a minha esposa saímos de Faro com a impressão de que o Joãozinho é a criança que devemos adoptar. A minha filha também acha que sim. Mas a decisão ainda não está tomada. Terão que aguardar pelo próximo episodio desta saga para saberem o desfecho da mesma.




25 de Marco de 2008 - Contacto da Seg. Social :)
Recebi hoje um telefonema da Seg. Social da Faro a dizerem-nos que têm uma criança para nós. Fiquei com as lágrimas nos olhos com a noticia, e agora que estou a escrever esta mensagem estou mais uma vez emocionado. Já marcámos uma entrevista para amanhã (26 de Março de 2008) às 14:30 GMT. Vamos encontrar-nos com a Kátia (Assistente social encarregue do processo) para ela nos apresentar – em papel – o nosso Joãozinho. Hoje quando telefonámos para marcar a data e a hora da entrevista, tentámos saber mais alguma informação acerca da criança que iremos adoptar, mas as malditas não se descoseram. Prometeram dar-nos todos os detalhes amanhã. 

Faria em 4 de Abril um ano que estamos qualificados como pais adoptivos. Estou muito ansioso e não sei se conseguirei fazer algum trabalho entre hoje e amanhã. Nunca pensei que a proximidade do final do processo me fosse afectar tanto. Acho que entre agora e o dia em que finalmente o virmos, vou estar completamente roto emocionalmente. Estamos prontos para o Joãozinho e só imagino o quanto ele deve estar pronto para alguém que o ame a tempo inteiro e que ele possa chamar “seu”.


publicado por Papi às 12:51
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8 de Janeiro de 2008 - 18 meses depois da primeira entrevista.
Hoje é dia 8 de Janeiro de 2008. Já passaram mais ou menos 18 meses desde que nos candidatamos e 9 desde que fomos aprovados como pais adoptivos. Continuamos sem notícias da Seg. Soc. apesar dos nossos telefonemas regulares. Se o nosso processo, devido às características que especificamos para o Joãozinho, é mais célere do que os demais, isso não se notou até agora. 

Como tive uns minutos esta manhã, resolvi ir à Internet buscar o número do Refugio Aboim Ascensão (http://www.raa-ei.org) em Faro. Falei com uma das técnicas (senhora muito prestativa cujo nome omitirei aqui) que me disse que eu e a minha esposa não poderíamos lidar directamente com a instituição para adoptar uma criança, mas que teríamos que esperar a conclusão do processo normal de adopção iniciado com a Seg. Soc. com quem trabalhavam em parceria. Ficou de qualquer modo com os nossos nomes para, em nosso benefício, e com a minha permissão, contactar a Seg. Soc. de Faro visto que, segundo informação por ela facultada, existem varias crianças adoptáveis na base de dados nacional que vão de encontro ao que especificámos para o Joãozinho. 

E assim estamos à espera há mais de ano e meio. Mas mais triste do que a nossa espera é a espera de muitas crianças por este Portugal fora que, por motivos vários, esperam anos sem fim por pais que lhe queiram proporcionar uma vida melhor do que aquela que têm nas instituições que as acolhem. Quantas delas crescem até uma idade onde já não são adoptáveis? Quantas ganham uma volumosa bagagem emocional que as impede de serem inseridas com sucesso numa família/sociedade? Quantos potenciais pais adoptivos não iniciam um processo de adopção devido às histórias que se ouvem? Quantos desistem de um processo de adopção em Portugal em prol de um outro país onde o processo é mais célere? 

Mas nós não desistimos. Um destes dias teremos o nosso Joãozinho, e ele será adoptado em Portugal.



A opinião da família

Estive recentemente nos EUA em negócios, mas consegui uns diazinhos para visitar os meus irmãos e a minha mãe que se encontram no Arizona e em Utah. A minha irmã e o meu irmão – ambos mais novos – seguiram cursos diferentes dos meu. Enquanto enveredei pela Informática, eles enveredaram pela psicologia e têm ambos mestrados em psicologia. Alem dos mestrados têm também vasta experiencia em lidar com crianças e jovens com problemas de naturezas diversas.

 

Quando lhes disse que tínhamos dado inicio ao processo e que tínhamos especificado que não queríamos um bebe, mas sim um menino entre os 4 e os 6 anos, quase que me saltaram em cima, motivados por um desejo de me pouparem a uma experiência que eles consideram seria muito difícil e problemática.  Ainda que ame muito os meus irmãos e me dê muito bem com ambos, o meu curso e a minha experiencia com a minha filha – que toda a gente considera uma criança excepcional e sobredotada (para orgulho do pai e da mãe) – dizem-me que conseguiremos lidar com sucesso com as experiencias negativas do Joãozinho, e ajuda-lo a sobrepujá-las para se tornar numa criança igualmente excepcional, bem inserida, e produtiva na sociedade.

 

Falaram-me em extensivamente das suas experiências negativas e das mazelas que crianças dessas idades normalmente têm e das repercussões nefastas que todas essas experiências normalmente trazem a uma família que, na sua boa vontade, as acolhe. Recomendaram-me que lesse livros para me preparar e saber identificar as acções aparentemente inexplicáveis da criança, para saber identificar as causas, e saber também como lidar com elas. Mas tudo isto ia contra as minhas crenças e confiança que deposito na capacidade dos seres humanos (e principalmente nas crianças) de conseguirem superar os males que os rodeiam e de ascender e atingir o seu potencial que considero infinito. Considero-me – e aqueles que me conhecem, sabem-no bem – capaz de ultrapassar qualquer situação e sair dela bem. Sou muito idealista, e tenho muita confiança em Deus e em mim próprio. Tenho-me dado bem em fazer cuidadosamente os meus planos, trabalhar arduamente para os conseguir concretizar, e confiar aquilo que não consigo fazer a Deus, que sempre me tem ajudado a ir alem do que sozinho conseguiria.

 

Ao voltar a Portugal partilhei a experiencia com a minha esposa e ela é da mesma opinião que eu. Por isso continuamos convictos que estamos a fazer o que é certo para nós e para a nossa família. Estamos cientes de que o inicio não vai ser um mar de rosas, mas acreditamos que conseguiremos lidar com as situações que se nos depararem, e que com a ajuda de Deus e dos nossos familiares, sairemos mais fortes da experiência, com um sentimento de dever cumprido, e teremos pelo caminho ajudado um ser humano a viver uma vida melhor, no seio de uma família que o ama.



publicado por Papi às 12:45
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A primeira entrevista com a Seg. Soc.
A situação foi caricata pois pediram que nos apresentássemos no Centro de Seg. Soc. de Faro para dar início ao processo. Assim que marcámos a data, fui ao Web site da Seg. Soc. (http://www.seg-social.pt) e naveguei para “Acção Social /Crianças e Jovens /Em perigo /Adopção / Intervenção da Segurança Social” para me inteirar de tudo o que deveríamos levar para a entrevista. De acordo com as instruções, pedimos os nossos registos criminais, tiramos fotocopias dos BIs, dos números de contribuinte, do ultimo IRS, e fizemos o download e o preenchimento dos 3 formulários (um para mim, o outro para a minha esposa e o outro para o casal). Quando lá chegámos e fomos recebidos, a senhora indicou-nos que a entrevista servia para nos informar sobre o que teríamos que trazer para a próxima entrevista que seria marcada para uns meses depois. Quando vimos a lista de itens, dissemos à senhora que já tínhamos tudo pronto e presente. Ela ficou admiradíssima por já termos a informação e os documentos preparados e pôs mesmo em causa a validade dos formulários que tínhamos preenchido pois desconhecia que era possível obtê-los na Internet. Imaginem que nos fizeram deslocar de Lagos a Faro só para nos dizerem quais os documentos que necessitávamos… 2 horas de viagem, + gasóleo + horas de trabalho perdidas, só para me darem uma lista de requisitos … E os telefones? E os correios? Já para não falar no email… Não me poderiam ter comunicado a lista de uma dessas maneira, evitando assim a despesa e o incomodo? 

Ainda tivemos que nos dirigir a Faro mais uma vez para sermos entrevistados por duas assistentes sociais muito simpáticas com quem conversámos acerca de tudo um pouco. Durante essa entrevista revelámos a nossa intenção de adoptar um menino saudável e inteligente entre os 4 e os 6 anos de idade. Disseram-nos que devido a essa escolha o nosso processo seria mais rápido visto que a maior parte das pessoas deseja adoptar meninas abaixo dos 2 anos de idade. Depois de essa entrevista ainda fomos entrevistados mais uma vez pelas mesmas senhoras, mas desta vez na nossa casas em Lagos. Devemos ter causado uma boa impressão visto que recebemos no dia 5 de Abril de 2007 (+- 10 meses depois, ainda que o Web site da Seg. Soc. especifique um período máximo de 6 meses) uma carta da Seg. Soc. a comunicar-nos que tínhamos sido “seleccionados como candidatos a adoptante”. Telefonei nesse mesmo dia para a Seg. Soc. de Faro para saber quanto tempo mais deveríamos esperar até que nos fosse proposto o nosso Joãozinho. A resposta, como devem imaginar, dava-nos somente a certeza que assim que soubessem de alguma coisa seríamos informados. 



25 de Maio de 2006 - O início do processo

Nós (eu e a minha esposa) sempre tivemos a vontade de adoptar uma criança. Temos já uma menina de nove anos, e estamos ambos nos 30s com cursos superiores e com uma vida confortável, mas preenchida. Quando nos mudamos para Portugal, depois de 11 anos nos EUA, começamos a ter mais contacto com um tio da minha esposa que já tina adoptado um casalinho de irmãos. A experiencia deles com os miúdos é muito positiva e isso reforçou o nosso desejo de adoptarmos.

 

Estávamos os 3 reunidos numa noite calma em frente à televisão, quando a nossa filhota nos perguntou quando íamos arranjar um irmãozinho para ela. A pergunta não teve resposta imediata, mas passados uns segundos a minha esposa anunciou que iria no dia seguinte à Segurança Social para saber o que era necessário para darmos inicio ao processo. A minha filha prontificou-se entusiasmada para a acompanhar e, no dia seguinte, dia 25 de Maio de 2006, assim o fizeram.

 

A visita foi breve e a minha esposa foi somente informada que os dados que tinham sido recolhidos naquela entrevista iriam ser encaminhados para Faro, e que iríamos ser depois contactados para dar continuidade ao processo.



publicado por Papi às 11:40
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